segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Atitudes




Nada de dor ou flagelação
Cansei de sofrer
Preciso superar e crescer
Arrancar de mim as mágoas do coração

Preciso de um infinito amanhecer
Cansei da tristeza e da solidão
Nada de esperar para viver
Quero arrancar as portas dessa prisão

Cansei de esquecer que existe felicidade
Preciso buscar a minha liberdade
Nada de cárceres inexistentes
Posso arrancar os problemas da minha mente

Nada de esperar
Cansei de esperar
Preciso correr, o tempo está passando
Vou arrancar essa dor que está me matando


Pintura: Picasso - Girl before a mirror

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Em pedaços


Poemas,papéis rabiscados e inacabados
Minha imagem se reflete em um espelho emoldurado
Tento escrever, dizer como me sinto em pedaços
Vou falando, arrancando de mim coisas engasgadas
Começo a te explicar como cheguei a este estado
magoado, solitário
Pessoas me deixaram, fiquei decepcionada
Descobri cicatrizes que nunca foram curadas
Vivenciei a dor de suportar calada
E hoje estou aqui tentando juntar meus pedaços
migalhas de cacos espalhados
Quero superar essa tristeza abafada
Meu rosto não reflete minha reclusão solitária
Pareço bem, sem estar
Vago sozinha em uma estrada dolorosa
Caminho em livros onde as palavras me consomem
Esqueço o sofrimento sem superar
Esqueço de ti e de todos que me perturbam
Só cabe o Eu
Só existe o tempo, curador das feridas
Não existe o nós, não mais
Há pedaços espalhados que não se juntam mais

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Carta Aberta à Filosofia


"Que raio de saber és tu, Filosofia,que me estás sempre a mostrar que nada sei?
Quem julgas tu que és para me estares sempre a molestar com perguntas que parecem não ter fim.
Dizem que te chamas Sofia e que Sofia é o nome de sabedoria, dizem que és amiga,
mas eu duvido que o sejas, porque às vezes, quando te faço perguntas, tu respondes-me com mais perguntas.
Que diabo! Endoideceste?
Porque me obrigas sempre a ir buscar respostas complexas e não respostas simples?
Tanto trabalho, tanto trabalho e tão poucos louros!
Se eu pudesse matava-te, Filosofia, mas nem isso me deixas fazer, porque se te mato, mato-me a mim próprio, porque não encontro o sentido da minha existência.
Dizem que és radical, mas eu nunca te vi a andar de skate, ou de patins em linha;
em vez disso dás-me mais trabalho!
Nem sei porque te escrevo, nem sei porque ainda te falo,
tão pouco porque não posso fugir de ti!
Será que em vez de ódio, é amor que sinto por ti?
Vá, responde-me, Filosofia? Vamos, responde-me!"

Sérgio Morais

Fotografia: Gerald Neufeld

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A sociedade da salvação



Pois é, Obama ganhou.

A pergunta que vem seguida dessa afirmação, é a de como será seu governo.

Não há a menor dúvida de que esse acontecimento é um marco na história mundial. O primeiro presidente negro de um país dividido em questões raciais, suas propostas são mais “liberais” que as de Bush, com sua campanha fez com que 66% da população americana fosse as urnas e lembra Kennedy. Essa última, para mim, mostra algo surpreendente, pois o antigo presidente John F. Kennedy possuía da mesma forma que Obama um grande nacionalismo e uma proposta de inovação social, só que essas idéias levaram ao seu assassinato. Kennedy parece não ter sido marionete,para o governo que existe por trás do oficial, como Bush foi, e talvez por isso e outras questões ele não tenha agradado o poder omisso que existe nos EUA.A probabilidade do assassinato de Barack Obama é um fato inegável, se ela realmente vai ocorrer só no futuro saberemos, mas eu fico com receio do sentimento que ela possa trazer para uma sociedade em colapso, como a americana.

Quase a totalidade das pessoas que eu conheço vibrou com a vitória desse futuro presidente, mas como brasileira eu me pergunto como será a política dele em relação a América Latina. Em toda a sua campanha eu não percebi que algo mudaria para a situação econômica do Brasil, pelo contrário, ele deixou claro que vai haver um maior protecionismo no mercado dos EUA.


Eu fiquei feliz com sua vitória, pois demonstra que entraremos em uma fase de mudanças e isso já está ocorrendo no sentimento global,contudo,acredito que aquele sentimento americano de querer mandar no mundo vai continuar e isso vale para o Brasil e para as guerras. Ou vocês acham que Obama vai tirar as tropas do Iraque logo quando ele assumir?

Ele disse em sua campanha que iria tirar as tropas aos poucos, com o passar dos meses.E eu gostaria de saber como o País vai continuar se sustentando, já que a indústria da guerra é o seu maior lucro.Claro que eles gastaram muito mantendo todos esses anos as tropas no Oriente, mas eles ganharam muito mais na parte industrial, com as grandes empresas fabricando armas e aviões. E agora que a economia está em crise eles precisam de injeção monetária no mercado, e uma das empresas que mais injetam dinheiro é a bélica, que constrói aviões de guerra.


No contexto geral as expectativas são ótimas e espero que elas realmente aconteçam no futuro.Só que não acredito em coincidências, às vezes acho estranho tudo isso que está acontecendo, tudo muito salvador, e aí que está o problema. Obama representa a salvação americana,isso demonstra o quanto essa sociedade está colapso. Uma nação não precisa de salvadores,eu não preciso nem você e as pessoas não deveriam precisar, mas parece que está naquele momento em que o mundo está desabando e é necessário um presidente que possa salvar a vida de todos.Muitas pessoas aqui no Brasil vêem Lula dessa forma,no entanto, ele é uma pessoa normal com suas qualidades e limitações.Acredito que idealizar um presidente que vá mudar a vida de todos demonstra o desespero no qual uma sociedade se encontra.E o meu receio é que essa sociedade se torne cega para as más ações que possam vir a ocorrer.


Posso estar sendo cética a esse sentimento global, mas todos esses fatos não deixam de ser uma realidade na qual a sociedade já começou a fechar os olhos para enxergar.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cadê a liberdade?



A cada dia que passa eu me convenço mais de como é difícil ser diferente. Por não gostar de axé,pagode,etc. a maioria tende a dizer que é frescura ou chatisse.Cada época possui uma tendência musical característica, vivemos em um período de grande diversidade e mesmo assim a sociedade tende a discriminar estilos não muito conhecidos.Ser underground ou "chata" e por isso não frequentar show de axé é sofrer preconceito e rotulação atualmente ,e se chegou ao ponto de hoje você não poder gostar de coisas alternativas recebendo dessa forma discriminação pelos seus gostos, eu me pergunto aonde vamos chegar.
A primeira coisa que eu lembro quando estudo o direito do cidadão é que todos possuem a liberdade como fator primordial para a vida.Pensando juridicamente o homem é livre para fazer o que desejar,contanto que não afete o direito do próximo ou infrinja as leis do Estado. Já diria Jean Paul Sartre que estamos condenados à liberdade,então,é o próprio ser humano que a limita.E ele faz isso com base no seu senso crítico,o que não está de acordo com seus princípios se torna errado.
O homem por si só limita seu caminho e o mundo a sua volta,dessa forma tira de mim a liberdade e transforma o meu mundo cópia do dele.Na minha opinião isso se chama massificação,a fim de conseguir que interesses pessoais se tornem interesses universais.Se o mundo fosse do jeito que eu acho correto,a vida perderia o significado,já que tudo seria perfeito e assim não evoluiríamos como espíritos.A sociedade precisa aceitar as diferenças e não ser egocêntrica.Qual seria a graça do mundo sem as diferenças?
Nunca gostei de coisas convencionais,talvez por ter sido criada ouvindo Charles Aznavour e Willie Nelson,mas o fato é que eu acho um absurdo me rotularem como chata porque eu não gosto de shopping,carne,televisão e show de axé.Eu possuo características particulares e isso faz de mim única,assim como a maioria das pessoas.Aí entra a pergunta,onde está a liberdade que a sociedade exige se ela mesma limita a de vários cidadãos?
Começo a relevar o que Jung disse:
"Todos nós nascemos originais e morremos cópias"

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Antiga paixão


Olhando meus arquivos descobri esse texto, que eu escrevi há um bom tempo.

E de repente meus “amores” antigos passaram como um flash na minha frente.

Depois da retrospectiva comecei a rir, é muito engraçado olhar para trás e pensar como eram os relacionamentos. Cheios de confusões por besteira e declarações apaixonadas.

Escrevi o texto junto como um pedaço de carta que nunca enviei, talvez por achar que eu estava sendo uma poetisa apaixonada duvidando dos meus sentimentos. Com o tempo percebi que não gostava dessa pessoa naquela época o tanto que gostava antes, era uma antiga paixão. E também notei que quando estava com a pessoa que mais gostei, não escrevi uma única carta ou um poema sequer. Não sei o porque, mas desconfio que nunca encontrei alguma palavra para descrever o que sentia.



Não sei


Não sei o que pensar

É muito confuso para entender

Muito grandioso para descrever apenas em palavras


Deixo então esse sentimento fluir

Meus pés sobem aos céus

Minha face parece estar eternamente iluminada por sorrisos


Não quero pensar

Meu coração fica comprimido

É a saudade que me afaga


Queria poder te ver

Mas acredito que não saberia o que dizer

Apenas meus olhos se iluminariam


Lembranças despertam em minha memória

Parecem inesquecíveis

E intermináveis


Meu mundo se expande e reduz

Parece tornar os dias tão diferentes

O tempo é uma quimera


Fecho os olhos

Tento compreender

Não consigo, não entendo.


Nesse ínterim

Tudo se transforma

O véu desaparece


Recordo dos sorrisos

Tão bem guardados

Inolvidáveis


Que quem sabe um dia

Encontrar-se-ão novamente

Sem dúvidas ou cogitações



Foto: W. Eugene Smith

domingo, 12 de outubro de 2008

Nietzsche,o mundo e eu


Tenho pensado em tantas coisas: céu, vida, pobreza, eleições, família e futuro, que não sei ao certo por onde começar a escrever. Tive uma aula de filosofia ontem que me fez parar para pensar em Nietzsche, estou tentando ler seu livro Assim falou Zaratustra desde janeiro, e percebi que não estava compreendendo o que ele queria dizer. Nesse livro você encontra a idéia de Super-Homem, e passei durante todo esse tempo pensando em quem seria essa figura e o que o filósofo queria dizer relacionando ele aos seus pensamentos. E de repente tudo fez sentido. Nietzsche acreditava na teoria afirmativa,ou seja, que o homem devia ser autônomo. Por isso ele criticava as religiões, porque acreditava que o ser humano transferia suas responsabilidades e possibilidades de viver para Deus. O homem pensa em como vai ser após a morte e não tenta viver a sua vida e relaciona os acontecimentos ao redor dela com uma idéia divina, deixando ,dessa forma, de se responsabilizar pelos seus atos. O autor não apenas critica a igreja, mas sim demonstra para todos que isso é um tipo de fuga da sua própria existência, já que é uma responsabilidade muito grande dizer Deus está morto e eu sou responsável pelo meu agora e pela minha felicidade. Isso é um tipo de responsabilidade que o mundo não está disposto a acatar. Então, Nietzsche não era um cético do mundo, mas queria que este fosse senhor de si e fizesse com suas próprias mãos a felicidade, e o Super-Homem seria uma pessoa autônoma.
Toda essa conversa filosófica entra na minha vida como uma voz que me diz:
- Vá e lute pelo o que você quer, construa sua felicidade.

E assim o mundo se transforma, sou capaz de fazer o que eu acho correto, de não ser apenas mais uma entre milhões, é como um diferencial que te dá força para ir contra a correnteza. Contra a corrente desse mundo onde pessoas estão tendo suas casas hipotecadas, outras estão falindo a cada ação que é desvalorizada e onde o mendigo continua dormindo na parada de ônibus. Todo mundo cego para os outros, achando que isso não interfere na vida deles. Todo mundo entregando o mundo nas mãos de Deus. Que eu saiba ele nunca pregou individualismo, nem nunca disse cuida da tua vida que eu ajudo o mendigo. Está mais do que na hora das pessoas pararem de transferir o planeta para as mãos dele, cada um devia tentar ajudar o ambiente a sua volta e dessa forma melhorar a sociedade em geral.
Autonomia não é sinônimo de egoísmo.
Deus não é sinônimo de fuga da cruel realidade.
Seja um que tenta mudar e fazer a diferença, ao invés de ser mais um cego para o mundo.
Minha vida a cada instante é mais louca, são tantos pensamentos que acabo me perguntando onde fica minha ação. Mas quando percebo já estou fazendo acontecer há um bom tempo, assim não me critico tanto e sobra tempo para criticar o mundo.
Sobra tempo para família, vida, mendigo, Nietzsche e menos para mim, talvez isso seja em partes melhor do que o contrário. Se Nietzsche fosse acreditar em um "Deus" ele acreditaria num Deus "palhaço" e bom, eu acredito em Deus, mas concordo com ele que o ser humano deve trazer para si as responsabilidades. Se isso ocorresse o mundo poderia ser mais justo, e eu nem estaria escrevendo sobre isso agora.

Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...