sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sarney K.

Ando meio sem inspiração para escrever, mas depois que fiquei sabendo o que Sarney disse resolvi postar.
Com certeza na minha visão foi um dos comentários mais hilários até agora nesse ano, claro que os de Lula estão em uma categoria superior a hilário.
"É um processo Kafkiano este" foi o seu comentário a respeito do processo existente contra ele.
Para quem não conhece o livro " O Processo" de Franz Kafka, vou resumi-lo em breves linhas, é a história de um homem chamado Josef K. que recebe um processo e não sabe o real motivo da acusação existente contra ele. E o livro inteiro é um conflito, pois ele tenta resolver o processo sem saber como fazer e a quem recorrer.
Sarney, então, se sente um pouco Josef K. já que está sendo acusado de coisas que ele desconhece.
Mas, tendo ele vestido o personagem, ele deve concordar que mesmo "sem saber" as acusações do processo, ele tenta de todas as formas ir contra isso e ganhar. Josef K. no livro não passa de um personagem arrogante que acha que porque possui um bom cargo não deveria ser pertubado pela justiça e nem por um processo insignificante.
Coincidência?
Acho que Sarney sem querer acabou se encaixando perfeitamente em um personagem literário, se Kafka ainda fosse vivo e soubesse dessa pérola com certeza iria rir e achar que ele não entendeu o livro, ou pelo contrário, entendeu muito bem a ironia de todo esse Processo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sem o Tempo

Eu e o tempo nos separamos

Ele saiu de casa

E eu o chamei de volta, mas ele se foi

Deixei a porta aberta

Com a esperança

Do seu retorno

Mas nada voltou


Fiquei só

Sem entender o sentido da minha vida

Procurei por respostas, o porquê de sua ida

Mas nada encontrei

A vida seguiu, contudo,

Já não haviam datas para contar

Nem tempo para se medir.

Os dias as horas todos se foram

Só eu fiquei


A porta não se movia

O vento já não soprava

Meus cabelos não envelheciam

Presa na matéria, sem tempo,

Sem morte

Só a espera

De que ele volte
Com olhos profundos e sorriso desconfiado

Fechando a porta da nossa casa

Voltando a dar sentido nessa minha existência, terrena.

Para que um dia a vida termine

E eu me despeça

Deixando a porta aberta

Enquanto ouço ele dizer:

― Volta

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Monólogos humanos

Qual a necessidade de falar?


Com certeza, a primeira resposta a essa pergunta seria se expressar ou se comunicar. A fala, historicamente, possui uma grande relevância, já que sempre foi um dos modos mais eficazes de comunicação. Diferentemente da escrita, a fala reproduz e cobra uma reação imediata do ouvinte, de modo que agiliza a interação entre as pessoas. Na Antiguidade, os participantes do diálogo possuíam uma liberdade maior para refletir antes de declarar sua resposta. Hoje, a escrita até certo ponto permite que os leitores reflitam a respeito do conteúdo lido.


Contudo, tanto a fala quanto a escrita não deixam mais espaço para reflexão, atualmente, pois cobram resposta imediata seja na forma de opinião ou interpretação. E o resultado disso se apresenta nos diálogos vagos e nos textos argumentativos sem conteúdo. Muitas palavras são usadas para expressar o mínimo. O Homem vem abusando das palavras para expressar seus conflitos internos e sua insaciável ansiedade. O ser humano anda vivendo uma intensa carência de ser ouvido, ele não se preocupa mais em refletir internamente, é sempre presente a necessidade de saber a opinião de terceiros.


O Homem senhor da razão e conhecedor de si mesmo, cedeu espaço nesse século XXI para o surgimento do Novo Homem, dominador de grandes tecnologias, ansioso e carente por alguém que o escute. A estrutura emocional humana vem se desfazendo aos poucos, dando o lugar central aos problemas fúteis. A conversa no bar mudou, não é mais sobre a liberdade, os pensamentos inovadores e a posição do homem no mundo. Tudo virou reclamação: trabalho, faculdade, casa, dinheiro, relacionamentos, vida, etc.


Onde está o amor em viver, e não simplesmente enxergar o problema do amanhã, sendo este ainda inexistente. Onde estão os diálogos? Tudo virou monólogo dentro de uma mesma conversação.


Onde está o silêncio? Atormentado pela ansiedade de falar o que ainda não foi pensado, só para ter alguém para escutar.


Onde está o pensamento?

sábado, 13 de junho de 2009

Enamorados Shakespereanos

Verona, século XVI.


Dois jovens apaixonados marcam um encontro no dia de São Valentim.


- Ó minha amada! Versos e poemas para ti são feitos a todo instante.

Diz-me o que pensa deles, Aurora da minha existência inebriante.


- Amado meu! O que posso dizer, não estou à altura desses versos extasiantes.

Só digo, que tu que és meu amado infante.


- Luz celestial que ilumina meu ser! Fujas comigo, sejas minha eterna amante.

Não permitamos que esse muro nos deixe distante.


- Vou contigo se me prometeres ser de hoje em diante meu fiel amante.


- Minha vida é tua, Amor dos mais vibrantes. Vamos, então, rumo à vida que nos espera, fazer do nosso amor triunfante.


- Vamos, que o tempo não espera, mas antes tem um condicionante.


- Fale minha amada amante!


- Só vou se de agora em diante deixarmos de lado essas rimas melosas e grudantes.


...


- Ufa! Achei que ia ter que procurar um dicionário, já estou enjoado dessas coisas irritantes.


- Cala boca e anda logo. Temos que fugir antes que meu pai nos pegue em flagrante.

sábado, 6 de junho de 2009

Família M&M'S



Mãe

O que posso dizer neste momento?

Nasci, cresci e agora estou aqui

Contando nossa história ao vento


Quantas frases caladas

Gritos ecoados e saudade abafada?

Quantas vezes tentei mentir

E depois comecei a rir

Quando você disse: Maria Cecília!


E as nossas conversas “análises”?

Você psicóloga tentando me entender

E eu uma pseudo querendo nos compreender


Ah, nossos cafés filosóficos!

Você com café e eu com chá

Especulando sobre o mundo

Sobre nós, sobre nossos sonhos...


Que louca é nossa relação

Mãe-filha, filha-mãe

Sem convenções ou repressões


Você me olha e sorri

Eu retribuo desconfiada

Você faz drama

Eu reclamo

Quanto é você que reclama

Eu me peço paciência...


Escrevo, desenho

Só falto fazer música

Para você

Mas nem o infinito

Seria suficiente para demonstrar

Tudo o que eu sinto.


Amor

Na mais pura essência

Somente Amor


sábado, 23 de maio de 2009

Entre o tempo


Traços escassos que correm no tempo

São apenas um retrato do passado momento


Dar vida ao interior

Ao que vem de dentro

Fazer falar a voz interna

E jogá-la ao vento


Sento e escrevo

Repasso as folhas e os instantes

Mais um dia , mais uma palavra

E assim eu tento


Escrever

A peça imperfeita

Da minha história sem tempo


Sem relógios, sem ponteiros

Só o espaço

Que sobra nessa incansável eternidade

Entre a palavra e o pensamento



terça-feira, 7 de abril de 2009

O Amor de Maiakovski



"Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra".



Vladimir Maiakovski

- Com certeza um dos meus poetas preferidos, não só pela obra, mas também pela intensidade existente em cada palavra.


Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...