terça-feira, 25 de agosto de 2009

Marlon Brando, Pocahontas and Me


Ando escutando mil bandas, mas uma que eu dou muito valor é Neil Young.
Eu estava na Livraria Cultura esse final de semana passado e de repente olho para o lado e está meu pai com um dvd de Neil Young perguntando o preço ao vendedor, aí ele diz: R$20,00.
Na hora eu fiquei sem acreditar, só disse vamos levar com certeza!

Aí fiquei comentando depois será que Neil Young está tão mal assim para estar R$20,00 ou é por que ninguém conhece e aí
acontece aquela história de oferta e procura e acaba ficando barato.
Cheguei em casa e fui direto assistir, o dvd é duplo e em formato de filme o diretor é Jonatham Demme.
É simplesmente incrível, eu adorei!
O cd que ele está lançando no dvd é o "Prairie Wind" (2005), foi uma obra feita logo após uma perigosa cirurgia em sua cabeça.
Da grande discografia que Neil Young possui esse cd está entre os melhores na minha opinião o arranjo musical dele é muito bom, no dvd é possível ver isso.
Fazia algum tempo que eu não assistia algo tão bom na área musical, se encaixando em uma categoria superior está o dvd "Con
cert for George", uma homenagem póstuma feita por diversos músicos a George Harrison dos Beatles. Outro dvd muito bom é o "Crossroads"(2007) festival de blues feito por Eric Clapton, que recebe inúmeros músicos como: B.B. King, Willie Nelson, John Mayer, Jeff Beck, Buddy Guy, etc. De todos esses músicos a maioria já conhecido por mim, eu gostei mesmo da apresentação de Robert Randolph and The Family Band, que eu não conhecia, Robert toca uma pedal steel guitar (lap steel) e canta ao mesmo tempo, é realmente muito bom. O título do post é um trecho da minha música preferida de Neil Young que se chama Pocahontas, ela está no cd "Unplugged"(1993), sendo este maravilhoso, contém vários clássicos do cantor e foi feito em versão acústica pela MTV e gravado por esta em VHS. Na época Young teve alguns problemas com o pessoal da banda durante a gravação do cd, no geral a obra ficou muito boa, mas é visível a diferença quando se assiste o dvd Heart of Gold, pois é altamente nítida a sintonia entre a banda.


Download CD
( detalhe para "No Wonder" e "Falling off the face of Earth")

Download CD Unplugged

Mais informações sobre Neil Young

Video de Robert Randolph and The Family Band

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sarney K.

Ando meio sem inspiração para escrever, mas depois que fiquei sabendo o que Sarney disse resolvi postar.
Com certeza na minha visão foi um dos comentários mais hilários até agora nesse ano, claro que os de Lula estão em uma categoria superior a hilário.
"É um processo Kafkiano este" foi o seu comentário a respeito do processo existente contra ele.
Para quem não conhece o livro " O Processo" de Franz Kafka, vou resumi-lo em breves linhas, é a história de um homem chamado Josef K. que recebe um processo e não sabe o real motivo da acusação existente contra ele. E o livro inteiro é um conflito, pois ele tenta resolver o processo sem saber como fazer e a quem recorrer.
Sarney, então, se sente um pouco Josef K. já que está sendo acusado de coisas que ele desconhece.
Mas, tendo ele vestido o personagem, ele deve concordar que mesmo "sem saber" as acusações do processo, ele tenta de todas as formas ir contra isso e ganhar. Josef K. no livro não passa de um personagem arrogante que acha que porque possui um bom cargo não deveria ser pertubado pela justiça e nem por um processo insignificante.
Coincidência?
Acho que Sarney sem querer acabou se encaixando perfeitamente em um personagem literário, se Kafka ainda fosse vivo e soubesse dessa pérola com certeza iria rir e achar que ele não entendeu o livro, ou pelo contrário, entendeu muito bem a ironia de todo esse Processo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sem o Tempo

Eu e o tempo nos separamos

Ele saiu de casa

E eu o chamei de volta, mas ele se foi

Deixei a porta aberta

Com a esperança

Do seu retorno

Mas nada voltou


Fiquei só

Sem entender o sentido da minha vida

Procurei por respostas, o porquê de sua ida

Mas nada encontrei

A vida seguiu, contudo,

Já não haviam datas para contar

Nem tempo para se medir.

Os dias as horas todos se foram

Só eu fiquei


A porta não se movia

O vento já não soprava

Meus cabelos não envelheciam

Presa na matéria, sem tempo,

Sem morte

Só a espera

De que ele volte
Com olhos profundos e sorriso desconfiado

Fechando a porta da nossa casa

Voltando a dar sentido nessa minha existência, terrena.

Para que um dia a vida termine

E eu me despeça

Deixando a porta aberta

Enquanto ouço ele dizer:

― Volta

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Monólogos humanos

Qual a necessidade de falar?


Com certeza, a primeira resposta a essa pergunta seria se expressar ou se comunicar. A fala, historicamente, possui uma grande relevância, já que sempre foi um dos modos mais eficazes de comunicação. Diferentemente da escrita, a fala reproduz e cobra uma reação imediata do ouvinte, de modo que agiliza a interação entre as pessoas. Na Antiguidade, os participantes do diálogo possuíam uma liberdade maior para refletir antes de declarar sua resposta. Hoje, a escrita até certo ponto permite que os leitores reflitam a respeito do conteúdo lido.


Contudo, tanto a fala quanto a escrita não deixam mais espaço para reflexão, atualmente, pois cobram resposta imediata seja na forma de opinião ou interpretação. E o resultado disso se apresenta nos diálogos vagos e nos textos argumentativos sem conteúdo. Muitas palavras são usadas para expressar o mínimo. O Homem vem abusando das palavras para expressar seus conflitos internos e sua insaciável ansiedade. O ser humano anda vivendo uma intensa carência de ser ouvido, ele não se preocupa mais em refletir internamente, é sempre presente a necessidade de saber a opinião de terceiros.


O Homem senhor da razão e conhecedor de si mesmo, cedeu espaço nesse século XXI para o surgimento do Novo Homem, dominador de grandes tecnologias, ansioso e carente por alguém que o escute. A estrutura emocional humana vem se desfazendo aos poucos, dando o lugar central aos problemas fúteis. A conversa no bar mudou, não é mais sobre a liberdade, os pensamentos inovadores e a posição do homem no mundo. Tudo virou reclamação: trabalho, faculdade, casa, dinheiro, relacionamentos, vida, etc.


Onde está o amor em viver, e não simplesmente enxergar o problema do amanhã, sendo este ainda inexistente. Onde estão os diálogos? Tudo virou monólogo dentro de uma mesma conversação.


Onde está o silêncio? Atormentado pela ansiedade de falar o que ainda não foi pensado, só para ter alguém para escutar.


Onde está o pensamento?

sábado, 13 de junho de 2009

Enamorados Shakespereanos

Verona, século XVI.


Dois jovens apaixonados marcam um encontro no dia de São Valentim.


- Ó minha amada! Versos e poemas para ti são feitos a todo instante.

Diz-me o que pensa deles, Aurora da minha existência inebriante.


- Amado meu! O que posso dizer, não estou à altura desses versos extasiantes.

Só digo, que tu que és meu amado infante.


- Luz celestial que ilumina meu ser! Fujas comigo, sejas minha eterna amante.

Não permitamos que esse muro nos deixe distante.


- Vou contigo se me prometeres ser de hoje em diante meu fiel amante.


- Minha vida é tua, Amor dos mais vibrantes. Vamos, então, rumo à vida que nos espera, fazer do nosso amor triunfante.


- Vamos, que o tempo não espera, mas antes tem um condicionante.


- Fale minha amada amante!


- Só vou se de agora em diante deixarmos de lado essas rimas melosas e grudantes.


...


- Ufa! Achei que ia ter que procurar um dicionário, já estou enjoado dessas coisas irritantes.


- Cala boca e anda logo. Temos que fugir antes que meu pai nos pegue em flagrante.

sábado, 6 de junho de 2009

Família M&M'S



Mãe

O que posso dizer neste momento?

Nasci, cresci e agora estou aqui

Contando nossa história ao vento


Quantas frases caladas

Gritos ecoados e saudade abafada?

Quantas vezes tentei mentir

E depois comecei a rir

Quando você disse: Maria Cecília!


E as nossas conversas “análises”?

Você psicóloga tentando me entender

E eu uma pseudo querendo nos compreender


Ah, nossos cafés filosóficos!

Você com café e eu com chá

Especulando sobre o mundo

Sobre nós, sobre nossos sonhos...


Que louca é nossa relação

Mãe-filha, filha-mãe

Sem convenções ou repressões


Você me olha e sorri

Eu retribuo desconfiada

Você faz drama

Eu reclamo

Quanto é você que reclama

Eu me peço paciência...


Escrevo, desenho

Só falto fazer música

Para você

Mas nem o infinito

Seria suficiente para demonstrar

Tudo o que eu sinto.


Amor

Na mais pura essência

Somente Amor


sábado, 23 de maio de 2009

Entre o tempo


Traços escassos que correm no tempo

São apenas um retrato do passado momento


Dar vida ao interior

Ao que vem de dentro

Fazer falar a voz interna

E jogá-la ao vento


Sento e escrevo

Repasso as folhas e os instantes

Mais um dia , mais uma palavra

E assim eu tento


Escrever

A peça imperfeita

Da minha história sem tempo


Sem relógios, sem ponteiros

Só o espaço

Que sobra nessa incansável eternidade

Entre a palavra e o pensamento



Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...