De que ele volte Com olhos profundos e sorriso desconfiado Fechando a porta da nossa casa Voltando a dar sentido nessa minha existência, terrena. Para que um dia a vida termine E eu me despeça Deixando a porta aberta Enquanto ouço ele dizer: ― Volta
Com certeza, a primeira resposta a essa pergunta seria se expressar ou se comunicar. A fala, historicamente, possui uma grande relevância, já que sempre foi um dos modos mais eficazes de comunicação. Diferentemente da escrita, a fala reproduz e cobra uma reação imediata do ouvinte, de modo que agiliza a interação entre as pessoas. Na Antiguidade, os participantes do diálogo possuíam uma liberdade maior para refletir antes de declarar sua resposta. Hoje, a escrita até certo ponto permite que os leitores reflitam a respeito do conteúdo lido.
Contudo, tanto a fala quanto a escrita não deixam mais espaço para reflexão, atualmente, pois cobram resposta imediata seja na forma de opinião ou interpretação. E o resultado disso se apresenta nos diálogos vagos e nos textos argumentativos sem conteúdo. Muitas palavras são usadas para expressar o mínimo. O Homem vem abusando das palavras para expressar seus conflitos internos e sua insaciável ansiedade. O ser humano anda vivendo uma intensa carência de ser ouvido, ele não se preocupa mais em refletir internamente, é sempre presente a necessidade de saber a opinião de terceiros.
O Homem senhor da razão e conhecedor de si mesmo, cedeu espaço nesse século XXI para o surgimento do Novo Homem, dominador de grandes tecnologias, ansioso e carente por alguém que o escute. A estrutura emocional humana vem se desfazendo aos poucos, dando o lugar central aos problemas fúteis. A conversa no bar mudou, não é mais sobre a liberdade, os pensamentos inovadores e a posição do homem no mundo. Tudo virou reclamação: trabalho, faculdade, casa, dinheiro, relacionamentos, vida, etc.
Onde está o amor em viver, e não simplesmente enxergar o problema do amanhã, sendo este ainda inexistente. Onde estão os diálogos? Tudo virou monólogo dentro de uma mesma conversação.
Onde está o silêncio? Atormentado pela ansiedade de falar o que ainda não foi pensado, só para ter alguém para escutar.
"Um dia, quem sabe, ela, que também gostava de bichos, apareça numa alameda do zôo, sorridente, tal como agora está no retrato sobre a mesa. Ela é tão bela, que, por certo, hão de ressuscitá-la. Vosso Trigésimo Século ultrapassará o exame de mil nadas, que dilaceravam o coração. Então, de todo amor não terminado seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas. Ressuscita-me, nem que seja só porque te esperava como um poeta, repelindo o absurdo quotidiano! Ressuscita-me, nem que seja só por isso! Ressuscita-me! Quero viver até o fim o que me cabe! Para que o amor não seja mais escravo de casamentos, concupiscência, salários. Para que, maldizendo os leitos, saltando dos coxins, o amor se vá pelo universo inteiro. Para que o dia, que o sofrimento degrada, não vos seja chorado, mendigado. E que, ao primeiro apelo: - Camaradas! Atenta se volte a terra inteira. Para viver livre dos nichos das casas. Para que doravante a família seja o pai, pelo menos o Universo; a mãe, pelo menos a Terra".
Vladimir Maiakovski
- Com certeza um dos meus poetas preferidos, não só pela obra, mas também pela intensidade existente em cada palavra.
Recebi um email hoje de manhã sobre a Índia, e nele haviam frases de Gandhi e Madre Teresa de Calcutá. A frase que mais me chamou atenção foi esta "Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação".
Acho que eu nunca havia pensado dessa forma, é tão fácil classificar as pessoas em relação se podem ou não serem amadas por nós, que elas são encaixadas dentro dos nossos próprios esteriótipos. Surgindo assim, um amor pseudocapaz, já que ama dentro de limites e condições.E talvez nem seja amor, pode ser um mix de sentimentos confusos. Não sei muita coisa sobre amor e sentimentos afins quando esse se refere a relacionamentos amorosos, até porque tenho o grande defeito de ficar fugindo disso,mas me parece errado tentar encaixar as pessoas dentro do que seria possível pra você. Amar pela beleza, parece ser fútil, amar por admiração é fazer com que a pessoa seja colocada em um pedestal longe dos defeitos, só que um dia ela te decepciona e aí a queda vai ser feia. Acredito que tanto Gandhi como Madre Teresa passaram por esse mundo e tentaram nos mostrar que o amor simplesmente não tem condições. Amar sem motivo, sem explicação, fazer com que ele desabroche da sua repressão interna é uma tarefa difícil,mas com certeza não é impossível.