Neste último domingo, dia 26, foi realizado no Brasil o ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, que tem por objetivo medir os conhecimentos gerais dos alunos e contribuir para o aumento de suas notas nas provas das instituições de ensino superior.
Enfim, exame que prova como o país ainda possui uma educação deficitária.
Essa prova foi considerada a mais fácil de todos os anos. Após saber deste acontecimento fiquei feliz e ao mesmo tempo preocupada.
Feliz por ter feito uma prova fácil no ano em que faço vestibular e preocupada por ter sido tão fácil. O que está acontecendo com este País?
A saúde resolveu se rebelar agora depois de anos sem receber bons salários e trabalhando em condições drásticas. Depois de dois anos o julgamento do “mensalão” começa (francamente sabemos que isso não vai dar em nada). O caos aéreo continua...
Surge o movimento Cansei de caráter ainda indefinido, é a burguesia que começa a mostrar a face. Finalmente a educação demonstra que está pior do que antes.
Segundo o PISA, prova que avalia o conhecimento dos estudantes de diversos países, os brasileiros tiveram um resultado horrível, pois dos 41 países que concorreram o Brasil ficou em 37º lugar. Tudo isso comprova que vão ser precisos esforços infindáveis para mudar essa cruel realidade.
O País é um dos piores em matemática no mundo inteiro, considerando os países subdesenvolvidos industrializados e os desenvolvidos. Esse fato foi comprovado com essa última avaliação do ENEM, já que as questões de matemática praticamente não existiram. O governo e o ministério da educação pelo visto estão tentando ocultar o déficit da educação. Foram 63 questões, as de matemática corresponderam 12% da prova, ou seja, 8 questões. Não pensem que esse número é significativo em vista das outras tantas matérias que existem. Todas as oito questões precisavam apenas saber somar, subtrair, multiplicar e dividir. Um aluno que faz essa prova tem em média no mínimo 16 anos, ou seja, está no segundo ano. No ensino médio a pessoa deveria saber muito mais do que simples operações, mas mesmo assim a escola pública não consegue ensinar ao menos o básico. A culpa não é da escola, não é do governo (em partes), não é exclusivamente minha e nem sua. A culpa é da sociedade. A culpa é dessa desigualdade e desse egoísmo. Somos um país uno. Mas frequentemente esquecemos disso.
Onde estão os governantes preocupados em realmente mudar a educação?
Onde está a população? Não a vejo nas ruas...
Onde eu estou?
Será que estou nessa minha mísera e mesquinha felicidade por ter feito uma prova maravilhosa já que ela foi fácil?
Onde estão meus princípios e meus ideais?
Deparo-me com a própria alienação que um vestibular causa. A necessidade de ganhar alguns décimos me deixou por alguns segundos egoísta.
Fico sem palavras...
Mas no meu âmago ressurge minha força de ser contra tudo isso.
Contra essa desprezível ignorância.
Não ficarei mais feliz com uma simples prova, pois enquanto sorrio a pobreza assola lá fora. Enquanto penso em minha nota, milhares de estudantes se preocupam em como vão passar no vestibular estudando em escolas públicas. Infelizmente o Brasil não é o mesmo do passado.
Esqueci a felicidade.
Lembrei da desigualdade que continua prevalecendo em um simples teste. Que tristeza e que mazela contém a sociedade. Não vou mais me perguntar quanto tempo isso durará, os questionamentos não devem ser feitos para mim mesma.
As perguntas precisam ser gritadas pelas ruas, para que só assim o mundo resolva digerir tudo isso que já está em mim engasgado. Almejo não escrever mais sobre isso, mas percebo quantas palavras ainda terei de citar.
Onde se encontra a educação?
Está em um ideal e um povo. Está no direito de todos.