sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Ensaios pessoais





Qual é o propósito humano?
Existir e depois desaparecer?

Ainda não encontrei respostas à altura dessas perguntas.
Ainda não me encontrei.
Eu não me vejo em fotos, televisões e paisagens. Não me encontro aqui.
Sinto minha existência atual como o vento: transparente, efêmero e vazio.
Vento esse que carrega tudo e parece não levar nada
Quase duas décadas de vida.
Quase duas décadas...
Que parecem apenas alguns dias.
Não acredito que minha vida seja completamente vazia, pelo contrário ela é muito cheia...
Mas esse conteúdo é muito transcendente para estar preso a essa matéria.
Estou pairando no ápice da consciência e acho que isso me confunde, pois tudo é o próprio porque e a própria razão.
Minhas maiores indagações são sobre eu mesma, o mundo exterior já perdeu a graça, o racionalismo tomou conta.
Estou vivendo na era das luzes...
Mas ela já acabou.
Assim como meu racionalismo um dia também acabará.
Isso me lembra Rousseau e sua brilhante forma de ver o mundo.
Talvez sua teoria explique minha tristeza...
Vivemos na sociedade Voltaireana, por isso os pobres estão sendo esquecidos.
Não existe lugar para eles nesse “capitalismo” decadente, mas existe um lugar para eles dentro de mim.
Esse é um dos meus únicos sentidos de vida.
Ajudar, Lutar e Igualar esse mundo.
E é isso que me dá alguma motivação, se não fosse por esse sentimento eu faria filosofia e viveria na transcendência das letras e idéias até o fechar dos olhos.
Mas já abdiquei dos meus prazeres há muito tempo, no momento em que me inscrevi em direito.
Minha vida não será Nietzsche e nem Sócrates, ela será algo maior, algo parecido com África.
Talvez eu queira ir morar lá porque algum propósito maior me move, ou porque eu queira morrer cedo, ou talvez porque a esperança me inunda.
Demorarei um bom tempo para descobrir tais respostas.
Tudo é uma controvérsia...
Como posso viver no realismo e ser levada pelo coração?
Já que minha vida não será Sócrates posso ao menos utilizar sua filosofia.
“Só sei que nada sei.”
E assim será...
Até o próximo segundo pelo menos.
Já os outros... Ah os outros...
Só o tempo dirá.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Brilho do infinito




No raiar do amanhecer
Velas começam a acender
E assim seguem rumo ao céu
Onde sua luz se dissipa

Confundindo-se com a esfera solar
Brilhos de velas entoam no ar
Nesse caminho de luz
Uma porta é aberta ao fundo e reluz

O que existirá atrás dela?

Corro pelo caminho iluminado
Tentando alcançá-la
Nesse ápice de luz minha cor,
Minhas formas, minha matéria, tudo se reduz.

O que sou? O que serei? Nada sei.

A aurora me guia
Junto aquela porta
Que há tanto tempo
Espera a minha volta

Abro-a, e enxergo além do mundo,
Enxergo além de tudo.
É o infinito
O Infinito do meu ser

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Rosa de Hiroshima


"Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada "
Vinícius de Moraes

-

62 anos se passaram, o mundo mudou e inovou.
Mesmo com toda essa mudança vemos todos os dias
várias rosas sendo planejadas.
Assistimos a vida sendo mais uma vez desperdiçada.
E o que faremos?
Que tal começarmos cultivando o amor pelo próximo
esquecendo das dores e mágoas?

Que tal plantarmos rosas?

Rosas do amor e da eternidade...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Avenida



Pára tempo
O tempo pára
Anda o carro
Anda o tempo
A vida corre
A vida voa
Sopra o vento
E tudo pára
Caminha o homem
E esquece o tempo

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Fim


Onde tudo era perfeito
O vento chega e desmorona
No olhar guardado
Surge a mágoa da ignorância
Esse sentimento bonito
Vai se destruindo
Levando meus pensamentos
Levando minhas dúvidas

É a lavagem da minha alma
Que tem início
O passado que antes agonizava
Agora se desfaz
Jaz enfim

Meu museu falece
Meu presente edifica
Futuro?
O ápice do meu desejo e das minhas conquistas

Quero viver e esquecer do que vivi
Andar com pés firmes
Sonhar e realizar
Sorrir e finalmente dormir

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Amor


Andei a pensar nesses últimos dias, o que seria necessariamente o amor. Vemos hoje em todos os canais de notícias, livros etc. Pessoas buscando algo, como se fosse um vazio dentro de si que precisa ser preenchido, e acabam assim buscando de maneira errônea.
Por que o que é de verdade amar?

Será que é estar perto quando o outro precisa?
Ou melhor, fazer o que a outra pessoa queira ou apenas sentir ciúme?

Engana-se completamente quem pensa assim. Amor não tem absolutamente nada a ver com isso.
Esses sentimentos de posse e apego exagerado não existem dentro do universo do amor.
Há pouco tempo li um artigo sobre a visão de Platão sobre o amor e outros filósofos em seu livro O banquete, e refleti sobre isso. No livro fala que amar é colocado de uma única forma, mas que você tem que passar por vários degraus para consegui alcançar essa máxima. A beleza é usada de um outro ângulo nisso, já que o amor verdadeiro ele não vem com a beleza, ele pode começar com ela a partir de uma atração física, mas com o passar do tempo ele se abstrai, ou seja, isso se torna banal em comparação com outras qualidades que acabam sendo percebidas com o despertar da consciência. Então quando Platão se refere ao amor ele fala do amor genuíno sem egoísmo.
Você não ama alguém para completar, e sim para adicionar.


Nesse mundo o amor é quase imperceptível.

O amor está no coração puro, o amor está em quem sabe o que é verdadeiramente amar.
Ilusão é o que a maioria das pessoas tem, o ser humano tem a necessidade de estar com alguém para assim a solidão que existe dentro do seu ser se completar.
Desde os tempos mais remotos o amor configura-se como algo intransponível que poucos o conseguem alcançar.
Será que realmente é tão difícil?
Que barreiras são essas que não nos deixam alcançá-lo?

São os obstáculos do nosso próprio pensamento e do nosso sentimento ainda pouco desenvolvido.
Plantemos amor afim de que com um bom tempo possamos usufruí-lo dando evasão a aquilo que preenche nossa alma desde o momento em que abrimos os olhos.
Não percamos a esperança e nem a fé.
Pensemos e acreditemos que o Amor é construído minuciosamente em cada pessoa, cada um tem seu momento de libertação.
Um dia todos nós chegaremos a isso, o tempo que demorará dependerá de cada um e assim colheremos o júbilo de existir.
O começo está em enxergar a si próprio como alguém que precisa evoluir a cada segundo, olhar o mundo e as pessoas com os olhos do coração.
Caminhemos para um mundo de paz, igualdade, justiça e fraternidade.
E no final dessa estrada remota perceberemos que o amor o qual Platão se referia, sempre esteve conosco, o que faltava era chegar ao último degrau, o do amor irradiar nossas vidas e o mundo por completo que seria a razão da existência, o verdadeiro sentido de amar.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Esfera terrestre


Ah esse mundo!
Essa esfera distorcida que teme a girar.
Que nela tudo cabe tudo existe
E nada se completa e tudo se desfaz

Nesse planeta terra
Nossas vidas são apenas algumas entre tantas
Dessas que vemos todos os dias
Aquelas que um dia se apagarão

Pensamentos e desejos reinam
Transitam em meu quarto e se espalham
Invadem casas e se esvaem
De mim e do meu coração

Meu mundo se esvoaça
Foge pela janela
Liberta-se das grades
Da ilusão

Ele está em todos e em ninguém
É o princípio do futuro
Já escuto a canção de outras esferas
Soam tônicas e tudo fica mudo

E percebo que o infinito vem depois da razão
Assim como da vida nasce a ilusão
E a terra continua girando
Sem filosofar ou ter inspiração
Poucos sabem que dentro dela existe o segredo da união

Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...