quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Novo



O que começa hoje?

Mais um dia, mais uma espera?

Tudo de novo, nada de novo?


Vamos mudar

Sem rotinas, expressões parecidas

E piadas conhecidas


Rumo ao novo

Casa aberta,

Porta aberta


Minha vida sem esperar seu retorno

Eu na sala

Janelas abertas, ventos de esperança


Invadem meu corpo

Me contorço e desdobro

Mudo, não sou eu, sou algo novo





- Fotografia Salvador Dalí
No começo do século XX Dalí participou de alguns projetos da área cinematográfica como no filme de Luis Buñuel "Un chien andalou". Foi uma obra surrealista que lhe rendeu no futuro algumas parcerias com Alfred Hitchcock e Walt Disney. A foto pertence ao filme citado inicialmente.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sem Você




Sento e escrevo
Remonto toda trajetória
Os traços e espaços
Tudo o que já foi feito
Penso que Você
Não está aqui hoje
Nesse papel riscado
Só existe nas letras no passado
Somente existe em mim
Nada de pensar mais
No que foi feito
Quero que seja refeito
Eu e Você
Mas nada volta no tempo
E eu termino sem Você
Enquanto Você permanece em mim

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mais que o buraco de uma fechadura, quero uma nova visão, uma nova postura



Eu quero escancarar a porta dessa vida

Escancarar mesmo

E dizer sem palavras repetidas

Que o som é este

E a Voz é esta

Talvez daqui dez anos eles não existam mais

Eu e você, nossos idealismos.

Unidos hoje, distantes amanhã talvez.

Não quero que se passem os anos...

Chegue à espera

Vamos dar um salto.

E Lá nós continuaremos debatendo, sonhando,

Traçando.

Nossa história gravada, riscada

E amanhã cicatrizada na humanidade.

Eu e você, amanhã talvez não só dois

Mas mais, muito mais.

Abrindo a porta desse mundo apagado

E Gritando em alto e bom som

De como estamos cansados

Dessa Odisséia social sem limites e escrúpulos

Tudo falso, estranho e sujo.

Nos jornais e revistas futuros poderemos não estar

Mas mesmo assim não deixaremos nossa voz abafar

Gerações futuras caminharão em nosso passado

E dirão: Estamos aqui e vamos ser a revolução deste Estado.



- Poema escrito durante uma discussão político, filosófica e psicológica no msn.

(é o msn tem de certa forma uma utilidade)

É referente a indagações feitas por mim e pelo meu amigo Marcos Siqueira a respeito de como a sociedade tem se comportado em relação as informações que chegam a ela, e como o sistema incide em cima delas. Na verdade, uma crítica a falta de senso crítico social.

Faz mais de 3 meses que eu escrevi, Marcos acabou dando o título engraçado-filosófico, e hoje ocasionalmente lembrei do poema.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Eu, Você e uma xícara de chá


Escrevo sobre Você
Sobre os dias, as horas
Sobre o meu dia
Que sem demora
Acaba de começar
Você, Eu e uma xícara de chá
Olhando para o sol
Que acaba de acordar
Fantasias e histórias
São faladas
Enquanto o chá
Não começa a esfriar
E esse sol que faz o dia brilhar
Aqui dentro aquece
Os corpos juntos
Que contemplam inertes
Mais um amanhecer
Que não vai terminar


- para rimar...

Pintura: Salvador Dalí

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Marlon Brando, Pocahontas and Me


Ando escutando mil bandas, mas uma que eu dou muito valor é Neil Young.
Eu estava na Livraria Cultura esse final de semana passado e de repente olho para o lado e está meu pai com um dvd de Neil Young perguntando o preço ao vendedor, aí ele diz: R$20,00.
Na hora eu fiquei sem acreditar, só disse vamos levar com certeza!

Aí fiquei comentando depois será que Neil Young está tão mal assim para estar R$20,00 ou é por que ninguém conhece e aí
acontece aquela história de oferta e procura e acaba ficando barato.
Cheguei em casa e fui direto assistir, o dvd é duplo e em formato de filme o diretor é Jonatham Demme.
É simplesmente incrível, eu adorei!
O cd que ele está lançando no dvd é o "Prairie Wind" (2005), foi uma obra feita logo após uma perigosa cirurgia em sua cabeça.
Da grande discografia que Neil Young possui esse cd está entre os melhores na minha opinião o arranjo musical dele é muito bom, no dvd é possível ver isso.
Fazia algum tempo que eu não assistia algo tão bom na área musical, se encaixando em uma categoria superior está o dvd "Con
cert for George", uma homenagem póstuma feita por diversos músicos a George Harrison dos Beatles. Outro dvd muito bom é o "Crossroads"(2007) festival de blues feito por Eric Clapton, que recebe inúmeros músicos como: B.B. King, Willie Nelson, John Mayer, Jeff Beck, Buddy Guy, etc. De todos esses músicos a maioria já conhecido por mim, eu gostei mesmo da apresentação de Robert Randolph and The Family Band, que eu não conhecia, Robert toca uma pedal steel guitar (lap steel) e canta ao mesmo tempo, é realmente muito bom. O título do post é um trecho da minha música preferida de Neil Young que se chama Pocahontas, ela está no cd "Unplugged"(1993), sendo este maravilhoso, contém vários clássicos do cantor e foi feito em versão acústica pela MTV e gravado por esta em VHS. Na época Young teve alguns problemas com o pessoal da banda durante a gravação do cd, no geral a obra ficou muito boa, mas é visível a diferença quando se assiste o dvd Heart of Gold, pois é altamente nítida a sintonia entre a banda.


Download CD
( detalhe para "No Wonder" e "Falling off the face of Earth")

Download CD Unplugged

Mais informações sobre Neil Young

Video de Robert Randolph and The Family Band

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sarney K.

Ando meio sem inspiração para escrever, mas depois que fiquei sabendo o que Sarney disse resolvi postar.
Com certeza na minha visão foi um dos comentários mais hilários até agora nesse ano, claro que os de Lula estão em uma categoria superior a hilário.
"É um processo Kafkiano este" foi o seu comentário a respeito do processo existente contra ele.
Para quem não conhece o livro " O Processo" de Franz Kafka, vou resumi-lo em breves linhas, é a história de um homem chamado Josef K. que recebe um processo e não sabe o real motivo da acusação existente contra ele. E o livro inteiro é um conflito, pois ele tenta resolver o processo sem saber como fazer e a quem recorrer.
Sarney, então, se sente um pouco Josef K. já que está sendo acusado de coisas que ele desconhece.
Mas, tendo ele vestido o personagem, ele deve concordar que mesmo "sem saber" as acusações do processo, ele tenta de todas as formas ir contra isso e ganhar. Josef K. no livro não passa de um personagem arrogante que acha que porque possui um bom cargo não deveria ser pertubado pela justiça e nem por um processo insignificante.
Coincidência?
Acho que Sarney sem querer acabou se encaixando perfeitamente em um personagem literário, se Kafka ainda fosse vivo e soubesse dessa pérola com certeza iria rir e achar que ele não entendeu o livro, ou pelo contrário, entendeu muito bem a ironia de todo esse Processo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sem o Tempo

Eu e o tempo nos separamos

Ele saiu de casa

E eu o chamei de volta, mas ele se foi

Deixei a porta aberta

Com a esperança

Do seu retorno

Mas nada voltou


Fiquei só

Sem entender o sentido da minha vida

Procurei por respostas, o porquê de sua ida

Mas nada encontrei

A vida seguiu, contudo,

Já não haviam datas para contar

Nem tempo para se medir.

Os dias as horas todos se foram

Só eu fiquei


A porta não se movia

O vento já não soprava

Meus cabelos não envelheciam

Presa na matéria, sem tempo,

Sem morte

Só a espera

De que ele volte
Com olhos profundos e sorriso desconfiado

Fechando a porta da nossa casa

Voltando a dar sentido nessa minha existência, terrena.

Para que um dia a vida termine

E eu me despeça

Deixando a porta aberta

Enquanto ouço ele dizer:

― Volta

Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...