sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Retrospectiva de livros 2009

2009 foi um ano muito produtivo de livros na minha vida, 15 no total. Foram diversos tipos de leituras e vou comentá-las começando pelo qual eu mais gostei. A Menina que Roubava Livros é com certeza uma fascinante história que nos transporta para o período da 2ª guerra mundial tendo como ponto de referência os olhos de uma criança alemã. O autor, Markus Zusak, nos dá uma visão nova para um tema tão clichê como a segunda guerra no momento em que apresenta a morte como uma narradora e uma criança como personagem principal. Aos olhos de Liesel a morte e o sofrimento não existiam apenas fora da Alemanha, mas também em sua rua e nos rostos das pessoas que lá moravam. Por meio de breves capítulo, nuvens no céu e desenhos, somos levados a uma viagem maravilhosa com uma profundidade única em que os livros são a peça chave para mostrar a evolução da história e da personagem. Depois de um livro tão bom, minha curiosidade fez com que eu lesse depois algo tão ruim como Lua Nova, Eclipse e Breaking Dawn. Levada pela curiosidade de entender o porquê desses livros fazerem tanto sucesso decidi lê-los e foi uma tarefa bem árdua. Começando por Crepúsculo em 2008 eu decidi terminar a história afim de compreender melhor esse fenômeno. O tema de vampiros sempre foi algo interessante e atraente para as pessoas, valendo ressaltar Bram Stoker e Anne Rice pelos seus gloriosos livros a respeito do tema, contudo, acredito que pelo menos para mim o tema acabou por perder o mistério durante a leitura dos livros de Stephenie Meyer. Com uma linguagem muito pobre em detalhes e sem a profundidade psicológica dos personagens, a autora fez sua obra comparada com Machado de Assis ser um livro infantil. Quando li Crepúsculo percebi que toda a beleza que tentaram mostrar do mundo vampiresco foi perdida e ferida por pessoas interessadas no lucro que um livro tão besta poderia trazer. O universo teen dos jovens que quase não lêem e que assim não compram livros ganhou após Harry Potter uma continuação como fonte de renda para as editoras. A única coisa boa nisso é que por mais que a linguagem do livro seja ruim pelo menos eles estão lendo algo. Foi uma tortura terminar Crepúsculo no final do ano passado porque eu não aguentava as descrições que a personagem Bella fazia de Edward, de lindo em todos os momentos até deus de mármore, Stephenie Meyer conseguiu reunir em um livro todos os adjetivos do planeta Terra. Enfim, não recomendo, deu até vergonha de colocar na lista, mas continuando. Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago é fantástico, considerando o fato que vendeu muito e que eu aposto que boa parte das pessoas que leram ou não compreenderam ou não gostaram. O que eu mais ouvi foi aquela frase: Ah, é legal sabe, e depois que assistiram o filme aí que não gostaram mesmo. Contudo, Saramago usa um método de escrita de linguagem corrida sem pontuação o que torna para alguns uma leitura mais difícil, mas na minha opinião foi fascinante a viagem sobre a cegueira da humanidade, como estamos cegos a respeito de tantas e tantas coisas. Por meio de uma cegueira real ele tenta nos passar essa mensagem de aprendizado sobre olhar o próximo e enxergar o mundo sob outros aspectos. Seguindo nessa linha dá para comentar O Processo de Franz Kafka, a história de um homem que um dia acorda e se depara com um processo surreal em sua vida. Processo no sentido jurídico, mas também processo interno de mudanças sutis no personagem. Não, ele não deixou de ser o personagem mais arrogante, no entanto, descobrimos que ele não é uma rocha fria no decorrer do livro. Acredito que Kafka em suas obras coloca a história e os personagens ligados em partes a sua vida pessoal, que diga-se de passagem era um tanto complicada, o que faz com que seus livros tragam problemáticas a ser debatidas e não entendidas por completo. O Processo é um livro sem fim, o autor não terminou, mas no intitulado O Fim capítulo X dá para entender algo. Sempre tive vontade de ler Kafka principalmente Metamorfose, no entanto preciso me preparar antes psicologicamente para ler Kafka de novo. Outro livro que eu sempre quis ler e acho essencial para entender certas coisas a respeito do sistema organizacional da sociedade é O Contrato Social o qual eu tive o imenso prazer de ler este ano. Jean-Jacques Rousseau não foi só um grande pensador pela teoria do Contrato, mas acredito que foi por revolucionar a visão do Direito e do Estado de Direito, ele trouxe a idéia humanística de que o sistema tem que servir a sociedade ao bem do povo e não apenas a um monarca. Ao contrário de Voltaire e suas idéias aristocráticas, Rousseau relança o direito, fazendo dele um direito verdadeiro e digno do povo. Apesar de um tanto romântica a sua idéia de concessão da liberdade de cada indivíduo em função de um Estado que regule a propriedade e os direitos, ele trouxe à tona a hipótese de que durante séculos o Estado serviu a pessoa errada, o rei, ao invés de servir a sociedade. O que lembra a mudança que Cesare Beccaria institiu com sua obra Dos Delitos e das Penas, ao inovar o pensamento que o Direito Penal estava atuando de forma errada servindo àqueles que detinham o poder. A banição da tortura foi uma grandiosa conquista na evolução não só do direito penal como também da sociedade, tornando o julgamento mais justo. Lembrando o tema contrato e julgamento justo é de se lembrar O Mercador de Veneza, em tópico anterior comentado, de William Shakespeare, o livro é a retratação um tanto diferente da realidade, mas que lembra em partes como funcionava o direito antigamente. Mudando de tema completamente este ano Finalmente após dois anos e meio eu terminei Assim Falou Zaratustra de Friedrich Nietzsche e com certeza valeu a pena esse tempo todo. É verdadeiramente a obra prima de Nietzsche que ele próprio no biográfico livro Nietzsche de Scarlett Marton cita que para ele esse livro é incompreensível, então, o que resta a mim pobre mortal senão lê-lo e relê-lo com a finalidade de estudar e compreender suas idéias. Estudar sim, até porque certos livros não foram feitos para serem lidos de forma corrida engolindo as letras e a profundidade. Tenho certeza que no decorrer da minha vida voltarei a lê-lo muitas e muitas vezes. Para quem gosta de Nietzsche e já conhece algumas obras é um livro que reúne muitas de suas teorias, mas para quem nunca leu nada dele, eu não recomendo começar por esse. Caminhando para os 4 últimos da lista um breve comentário sobre A Terapia do Abraço 2 de Kathleen Keating o qual eu li por curiosidade e que demonstrou no ramo da psicologia ser uma terapia muito interessante em que é colocada em prática por vários tipos de abraços que expressam os mais variados sentimentos. Mulheres Alteradas de Maitena é incrível e excelente para dar muitas risadas, eu não canso de ler, é feito em formato de charges que expressam as angústias e os pensamentos femininos, é realmente muito divertido. O Livro de Ouro da Mitologia de Thomas Bulfinch é uma viagem a mitologia grega e nórdica, reunindo as mais diversas mitologias conhecidas. O autor estudou durante muitos anos na pesquisa e reunião das mitologias para poder publicar o livro, ele também possui outros ligados a história de algumas civilizações.É brilhante para compreensão de como as sociedades entendiam e atuavam no mundo mediante suas crenças mitológicas. E por fim, a obra maravilhosa Mensagem de Fernando Pessoa, para os admiradores da poesia é um livro que certamente deve ser lido, pois eleva a poesia a um novo patamar. Por meio de poemas Fernando Pessoa conta a história de Portugal, ele fala dos mais variados assuntos históricos até as aspirações do povo português. A edição que eu comprei da editora Bestbolso explica de forma detalhada a história de Portugal e os significados dos nomes citados nos poemas. Fora os 15 que eu terminei de ler, durante o ano eu li outros 3 e não terminei. A Arte de Amar de Erich Fromm foi recomendado por um colega meu, mas eu tentei ler 3 vezes e não consegui terminar, quem sabe um dia eu tento novamente. Outro foi A Hora das Bruxas de Anne Rice, que definitivamente eu vou terminar um dia, mas como eu sempre faço mil coisas ao mesmo tempo não consegui terminar. E outro, levada pela curiosidade, foi Diários do Vampiro - O Despertar. Na verdade comecei a ler porque o seriado Supernatural vai terminar ano que vem, por mais que eles venham enrolando, então, eu tenho que escolher outro pra assistir, já que só vai sobrar The Big Bang Theory para eu ver. Por isso, fui atrás da história, não vou meter o pau senão vai tomar mais linhas e minha mão está com tendinite e cansada, assim sendo, vou resumir que a linguagem é horrível e que a personagem principal é tão infantil quanto a de Crepúsculo, e um tanto arrogante, ela se acha muito. Enfim, já tenho uns 4 livros aqui para ler, só Deus sabe quando vou conseguir terminar Levando os Direitos a Sério, e tenho uma lista com quase 20 que eu quero ler. Vamos ver quantos eu consigo ano que vem. É possível ler vários livros é só querer, minha vida é uma correria saio às 14:00 e volto às 23:oo todos os dias e tenho aula aos sábados, mas dá para ler algo nos intervalos e de madrugada, e sim eu tenho vida social, saio quase todo final de semana e os livros do meu curso ganham com certeza desses 15. A maioria das pessoas fica ligada a idéia de que não existe tempo para ler, e isso é uma grande mentira. Eu não gosto de novela e só ligo a TV para ver seriado e filme, então, meu tempo disponível é maior do que aqueles que assistem todas as novelas. Por isso, sem desculpas para o ano que vem.



- Agora são 16.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Shakespeare


É um tanto clichê falar sobre Shakespeare, mas é um tanto absurdo não fazer parte da lista de leitores desse dramaturgo. De origem já conhecida pela maioria, e questionada por alguns, o escritor inglês foi e continua sendo um dos autores com livros mais interpretados do mundo. Não só pelo aspecto fácil de compreensão de suas obras, mas também por trás dessa "facilidade" existir um significado muito maior, que talvez não seja alcançado pela boa parte dos leitores. A pronfundidade do real significado de sua obra vai além de uma simples comédia ou drama, envolve conceitos e valores não só da época como também inerentes de cada ser humano. Após ter terminado de ler O Mercador de Veneza fiz uma breve reflexão sobre até que ponto um homem pode ser envolvido pelo dinheiro e querer uma vingança. Shylock, personagem do livro, retrata como os judeus na Inglaterra daquela época eram vistos e demonstra de forma crua a natureza do homem. Como a maioria dos personagens de Shakespeare, ele é um retrato de pessoas comuns passíveis dos mais variados sentimentos. Outro personagem importante do livro é Pórcia, diferente daquela mulher do século XVI que era submissa e reprimida, ela demonstra ser a real heroína do livro, já que resolve os problemas e age com astúcia. Mesmo não sendo uma mulher típica de sua época, ela ainda representa um quê de submissão, pois ela possui uma obrigação de não se casar com qualquer partido, só com aquele que seguir os métodos empregados por seu pai para conquistar a sua mão. Não sei se o autor chegou a considerar esse fato, contudo, não deixa de ser uma representação da época. A obra é repleta de obrigações jurídicas, e contém relatos que com certeza não aconteceriam nos dias de hoje e possivelmente nem naquela época, já que os mercadores em Veneza no século XVI eram organizados e não assinavam contratos sem ter uma garantia financeira. Dos livros desse autor que eu já li, acredito que Sonho de uma Noite de Verão foi o que me encantou mais, talvez por eu gostar muito de mitologia em geral e também por ter um ar psicodélico, em que a história se passa em um lugar onde tudo pode acontecer e onde certezas não existem. E é nesse universo que parece tão real pelas semelhanças com as atitudes humanas como mágico pelo desenrolar das histórias que se monta e se caracteriza a obra de Shakespeare, em uma atrapalhada comédia cheia de dramas, conflitos e eternos amores.


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Foto do filme O Mercador de Veneza (2004)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Richard Hawley


Passei as duas últimas semanas pensando em como escrever sobre Richard Hawley, na verdade com essa minha louca rotina, acaba faltando tempo para apreciar certas belezas da vida.
Estava assistindo o Coluna MTV há um tempo e de repente toca uma música que me encanta, não só pela sublime letra, mas também pela intensidade e profundidade como ela era cantada.
Era ele, com uma voz estilo Frank Sinatra, mas sem glamour, profunda e vibrante diferente de qualquer tipo musical. Foi com For Your Lover Give Some Time que eu me apaixonei.
A música pertence ao álbum Truelove's Gutter, Sarjeta do amor verdadeiro, nome dado em referência a uma antiga rua em sua cidade Sheffield. É um disco um tanto melancólico e sutil, contudo, acho que definição não existe para ele, depende de como as músicas interagem com seu próprio inconsciente. Eu achei um tanto apaixonado e solitário, principalmente com For Your Lover Give Some Time, Soldier On e Don't You Cry.
Soldier On são quase 7 minutos e Don't You Cry são mais de 10, não é nem um pouco aquele tipo de música cansativa e eterna, pelo contrário, é interessante ver como simples sons introduzidos no começo da música fazem ela crescer, a exemplo do barulho de relógio em Don't You Cry. Já em As The Dawn Breaks, a primeira música do CD, tem início com um som distante, em que é preciso prestar atenção para escutar de verdade.
Ashes On The Fite e Remorse Code possuem uma batida diferente das outras músicas do disco, sem a profundidade obscura de antes, elas mostram um outro lado do mesmo CD.
Quando escutamos Open Up Your Door fazemos aquela velha reflexão sobre o amor, e penso que é como está escrito na música:

"Open up your door

I can't see your face no more

Love is so hard to find

And even harder to define

Ooh open up your door

Cause we've time to give

And I'm feeling it so much more
"

Richard Hawley traz um pouco de volta aquela vanguarda romântica e única nesse CD, saindo dos padrões do rock britânico e dando origem a um estilo próprio, por mais que ele tenha sido influenciado por Johnny Cash e Roy Orbison, sua música hoje tem características que o diferenciam desses artistas. É possível ver como foi a construção desse músico singular no decorrer de seus discos, "Late Night Final" seu primeiro álbum se distancia da sonoridade dos projetos seguintes como "Lowedges" e "Coles Corner", sendo este último elogiadíssimo e incluido pela crítica no livro 1001 Discos para ouvir antes de morrer . Eu o escutei e realmente é muito bom, fazendo referência as músicas Coles Corner e The Ocean, tem uma melodia bem diferente do Tuelove's Gutter. Mas penso que o Truelove's Gutter chega a ser sua obra prima, mesmo seu CD anterior tendo sido elogiado também "Lady's Bridge" não se compara a esse último trabalho. Embora sua carreira solo seja recente, a partir de 2001, atualmente ele está consolidado no cenário musical europeu. Sendo bem desconhecido no Brasil, talvez por ser um som nada popular, ele começa a ganhar espaço de forma discreta, encontrei uma matéria muito boa na Revista Wave, no entanto, a maioria das informações sobre ele estão em sites estrangeiros.

Site Oficial

Truelove's Gutter download

— Meu amor, até breve



Sinto seu cheiro
Sua falta
Olho ao redor
E sinto que você não está mais aqui
Falta Você
Mas terei que aprender a viver
Sem seus sorrisos e abraços
Sem seus beijos e enlaços
Sem seu amor perto de mim
O que dói
É o não poder te ter
Todo dia, toda hora
Como um amante sem fim
Mas a vida nos ensina
Que o tempo passa
E cura as feridas
Que agora existem em mim

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Porta-Retratos


Porta-Retratos espalhados
Pela sala, mesa e quarto.
Feitos de olhares gravados,
Sorrisos congelados
E Saudade em pedaços.






- Saudade: dor que oprime e abafa. Vê a vida como uma estrada de infinita demora...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A felicidade está em um outdoor



Qual a relação entre uma mulher pedinte dentro de um ônibus e um outdoor do outro lado da rua?
Uma conta a sua história sofrida, em que existe um câncer, três filhas e o abandono pelo marido. A outra é a propaganda de um shopping com a seguinte frase: "Venha para o Plaza, aqui sua felicidade pode ser completa". Momentaneamente surge aquele pensamento clichê: dinheiro traz felicidade?
Se aquela mulher do ônibus fosse perguntada a respeito disso, talvez ela respondesse "Sim, com certeza", tendo em vista a sua situação, o dinheiro possivelmente resolveria ou, pelo menos, amenizaria seus problemas. Contudo, não é a ânsia pelo dinheiro que faz com que pessoas estejam na miséria? O atual sistema não traz como consequência a elevada desigualdade social?
Sendo assim, o dinheiro dentro de um mesmo caso é a causa e a solução do problema. É perceptível, dessa forma, o quão estamos presos nessa complexa estrutura financeira. Esta, é uma sugadora, que ao mesmo tempo que retira, demonstra onde você pode encontrar abastecimento: no shopping.
É lá que a verdadeira felicidade reside, onde não há contas para pagar, obrigações para cumprir e miséria ao redor. Schopenhauer ia ahar um tanto intrigante a existência de um lugar assim, ele perguntaria se isso realmente existe na Terra. No planeta em que 1 bilhão de pessoas passam fome, a solução, a felicidade, encontra-se ali pertinho, dobrando a esquina, no shopping. Já que lá é algo surreal, de tanta felicidade, deveriam distribuir comida de graça na praça de alimentação, e nas lojas as roupas e os calçados poderiam ser dados aos mais necessitados. Quem sabe, assim, o outdoor se tornaria verdadeiro, sem ser uma mentira ilusiva. Quem sabe, desse modo, a mulher deixaria de ser pedinte, e eu perderia a vergonha por existir nesse mundo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Novo



O que começa hoje?

Mais um dia, mais uma espera?

Tudo de novo, nada de novo?


Vamos mudar

Sem rotinas, expressões parecidas

E piadas conhecidas


Rumo ao novo

Casa aberta,

Porta aberta


Minha vida sem esperar seu retorno

Eu na sala

Janelas abertas, ventos de esperança


Invadem meu corpo

Me contorço e desdobro

Mudo, não sou eu, sou algo novo





- Fotografia Salvador Dalí
No começo do século XX Dalí participou de alguns projetos da área cinematográfica como no filme de Luis Buñuel "Un chien andalou". Foi uma obra surrealista que lhe rendeu no futuro algumas parcerias com Alfred Hitchcock e Walt Disney. A foto pertence ao filme citado inicialmente.

Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...