sexta-feira, 20 de novembro de 2009

— Meu amor, até breve



Sinto seu cheiro
Sua falta
Olho ao redor
E sinto que você não está mais aqui
Falta Você
Mas terei que aprender a viver
Sem seus sorrisos e abraços
Sem seus beijos e enlaços
Sem seu amor perto de mim
O que dói
É o não poder te ter
Todo dia, toda hora
Como um amante sem fim
Mas a vida nos ensina
Que o tempo passa
E cura as feridas
Que agora existem em mim

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Porta-Retratos


Porta-Retratos espalhados
Pela sala, mesa e quarto.
Feitos de olhares gravados,
Sorrisos congelados
E Saudade em pedaços.






- Saudade: dor que oprime e abafa. Vê a vida como uma estrada de infinita demora...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A felicidade está em um outdoor



Qual a relação entre uma mulher pedinte dentro de um ônibus e um outdoor do outro lado da rua?
Uma conta a sua história sofrida, em que existe um câncer, três filhas e o abandono pelo marido. A outra é a propaganda de um shopping com a seguinte frase: "Venha para o Plaza, aqui sua felicidade pode ser completa". Momentaneamente surge aquele pensamento clichê: dinheiro traz felicidade?
Se aquela mulher do ônibus fosse perguntada a respeito disso, talvez ela respondesse "Sim, com certeza", tendo em vista a sua situação, o dinheiro possivelmente resolveria ou, pelo menos, amenizaria seus problemas. Contudo, não é a ânsia pelo dinheiro que faz com que pessoas estejam na miséria? O atual sistema não traz como consequência a elevada desigualdade social?
Sendo assim, o dinheiro dentro de um mesmo caso é a causa e a solução do problema. É perceptível, dessa forma, o quão estamos presos nessa complexa estrutura financeira. Esta, é uma sugadora, que ao mesmo tempo que retira, demonstra onde você pode encontrar abastecimento: no shopping.
É lá que a verdadeira felicidade reside, onde não há contas para pagar, obrigações para cumprir e miséria ao redor. Schopenhauer ia ahar um tanto intrigante a existência de um lugar assim, ele perguntaria se isso realmente existe na Terra. No planeta em que 1 bilhão de pessoas passam fome, a solução, a felicidade, encontra-se ali pertinho, dobrando a esquina, no shopping. Já que lá é algo surreal, de tanta felicidade, deveriam distribuir comida de graça na praça de alimentação, e nas lojas as roupas e os calçados poderiam ser dados aos mais necessitados. Quem sabe, assim, o outdoor se tornaria verdadeiro, sem ser uma mentira ilusiva. Quem sabe, desse modo, a mulher deixaria de ser pedinte, e eu perderia a vergonha por existir nesse mundo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Novo



O que começa hoje?

Mais um dia, mais uma espera?

Tudo de novo, nada de novo?


Vamos mudar

Sem rotinas, expressões parecidas

E piadas conhecidas


Rumo ao novo

Casa aberta,

Porta aberta


Minha vida sem esperar seu retorno

Eu na sala

Janelas abertas, ventos de esperança


Invadem meu corpo

Me contorço e desdobro

Mudo, não sou eu, sou algo novo





- Fotografia Salvador Dalí
No começo do século XX Dalí participou de alguns projetos da área cinematográfica como no filme de Luis Buñuel "Un chien andalou". Foi uma obra surrealista que lhe rendeu no futuro algumas parcerias com Alfred Hitchcock e Walt Disney. A foto pertence ao filme citado inicialmente.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sem Você




Sento e escrevo
Remonto toda trajetória
Os traços e espaços
Tudo o que já foi feito
Penso que Você
Não está aqui hoje
Nesse papel riscado
Só existe nas letras no passado
Somente existe em mim
Nada de pensar mais
No que foi feito
Quero que seja refeito
Eu e Você
Mas nada volta no tempo
E eu termino sem Você
Enquanto Você permanece em mim

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mais que o buraco de uma fechadura, quero uma nova visão, uma nova postura



Eu quero escancarar a porta dessa vida

Escancarar mesmo

E dizer sem palavras repetidas

Que o som é este

E a Voz é esta

Talvez daqui dez anos eles não existam mais

Eu e você, nossos idealismos.

Unidos hoje, distantes amanhã talvez.

Não quero que se passem os anos...

Chegue à espera

Vamos dar um salto.

E Lá nós continuaremos debatendo, sonhando,

Traçando.

Nossa história gravada, riscada

E amanhã cicatrizada na humanidade.

Eu e você, amanhã talvez não só dois

Mas mais, muito mais.

Abrindo a porta desse mundo apagado

E Gritando em alto e bom som

De como estamos cansados

Dessa Odisséia social sem limites e escrúpulos

Tudo falso, estranho e sujo.

Nos jornais e revistas futuros poderemos não estar

Mas mesmo assim não deixaremos nossa voz abafar

Gerações futuras caminharão em nosso passado

E dirão: Estamos aqui e vamos ser a revolução deste Estado.



- Poema escrito durante uma discussão político, filosófica e psicológica no msn.

(é o msn tem de certa forma uma utilidade)

É referente a indagações feitas por mim e pelo meu amigo Marcos Siqueira a respeito de como a sociedade tem se comportado em relação as informações que chegam a ela, e como o sistema incide em cima delas. Na verdade, uma crítica a falta de senso crítico social.

Faz mais de 3 meses que eu escrevi, Marcos acabou dando o título engraçado-filosófico, e hoje ocasionalmente lembrei do poema.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Eu, Você e uma xícara de chá


Escrevo sobre Você
Sobre os dias, as horas
Sobre o meu dia
Que sem demora
Acaba de começar
Você, Eu e uma xícara de chá
Olhando para o sol
Que acaba de acordar
Fantasias e histórias
São faladas
Enquanto o chá
Não começa a esfriar
E esse sol que faz o dia brilhar
Aqui dentro aquece
Os corpos juntos
Que contemplam inertes
Mais um amanhecer
Que não vai terminar


- para rimar...

Pintura: Salvador Dalí

Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...