sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Amanhecer na cidade



A vida poderia ser um eterno amanhecer

sempre:
o canto dos pássaros
o som do mar
os alegres bom dia
a esperança de um novo dia

Mas com essa vida urbana
só me resta aproveitar alguns minutos desse alvorecer


Vou morar em uma ilha

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Oração


Ah essa vida humana
Quanto sofrimento por tão pouco
Dúvidas revelam-se diariamente na rotina terrestre
E são respondidas de forma tão negativa que toda a felicidade desaparece
Problemas aparentemente sem solução aparecem a cada mês na vida do Ser
Tão fáceis de resolver e o mundo inteiro acaba-se por eles,
Sendo que bastaria enxergar as respostas com os olhos espirituais

Não escuto frases do tipo:
“Como estou feliz” ou “As coisas estão caminhando”

Só repetem o velho cansaço e o desgosto pela vida
Vivem apegados a coisas efêmeras,
Esquecendo assim que tudo é poeira
Como eu queria Senhor que o mundo sentisse o que eu sinto
Sem julgar que minha visão é melhor,
Mas eu queria que sentissem o prazer em viver

Aproveitar oportunidades,crescer constantemente e amar ao próximo
Entendendo assim que é possível se melhorar como espírito
Plantando agora sem pensar no amanhã inexistente
Quantos planos em um corpo pequeno
Quantas realizações acontecem no determinado instante
Todo dia é dia de Luz

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Do outro lado


Começou com uma crítica e logo todos estavam nas ruas aos berros.
Braços entrelaçados , bandeiras estendidas, de mãos dadas caminhavam rumo ao desconhecido.
E ouvia-se do outro lado de um muro os ecos da gritaria, eram vozes que pareciam sussurrar interiormente.
Quanta gente deve ter, diziam alguns dos emparedados.
Pessoas pretas,amarelas,brancas, azuis e verdes formavam lá fora o arco íris da força.
E os ecos intensos entoavam no horizonte fazendo o chão vibrar.
Decidiu-se então subir no muro para olharem o que acontecia do outro lado,


Mas nada enxergaram...
E o homem já aflito por não ver, continuou a olhar...

Nada viu.


A voz e o chão continuam a vibrar interiormente, embora seus olhos até hoje permaneçam cegos.
A utopia da realidade impede que ele veja algo além de si mesmo.
A sociedade não é vista lá fora, ela apenas é sentida dentro de cada um.

São os sons do povo ignorado e da realidade social banalizada.

Pobres invisíveis
Pobres cegos

Como é pobre esse mundo.

domingo, 9 de março de 2008

Vida singela



Ah! Alegria
Ah! Amor
Quanto tempo que não escrevo sobre vocês...
Quanto tempo que não escrevo sobre sentir...
Tudo se transforma a cada dia
E as coisas vão passando e mudando
A eterna metamorfose do Ser

Quantas coisas deixei de dizer
Quantos sorrisos não deixei florir
Meus sentimentos
Minhas dúvidas
Unidos em um só, como sempre.

Mas hoje algo iluminou
E começou a existir
Nada é como antes tudo evoluiu e contornou
O passado, o instante, tudo se transformou.
E os sorrisos se tornaram olhares
E a vida uma simples passagem

Na contínua atmosfera singela
Ressurgiu as alegrias e os amores
Leves esboços da eternidade

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Época das cores


Livros, cores e retratos me rodeiam pelo quarto
Fazem voltar a minha memória cada instante de um passado esquecido
Percebo assim como tudo mudou
Os aromas, sorrisos e abraços não são os mesmos
Pequenos detalhes que agora começam a fazer toda diferença
Considero mudanças dessa forma positivas
Admito que mudei
Sobrevivi e inovei
E essas cores intensas não me trazem saudade, elas me deixam com
vontade de continuar em uma eterna metamorfose.
Rumo a um futuro que eu não desejo saber como vai ser
Mas sei que ele vai conter
Um retrato por dia, um livro por mês e mil cores pela eternidade

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Starry night


"Noite estrelada
Pinte suas cores de azul e cinza
Olhe os dias de verão
Com olhos que conhecem a escuridão da minha alma
Sombras nas colinas
Desenhe as árvores e os narcisos
Sinta a brisa e os arrepios de inverno
Em cores na terra de neve

Agora eu entendo
O que você tentou me dizer
E como você sofreu por sua sanidade
E como você tentou os libertar
Eles não queriam ouvir
Eles não sabiam como
Talvez eles te ouçam agora

Noite estrelada
Flores em fogo com chamas brilhantes
Nuvens que giram em uma roxa neblina
Refletem nos olhos azuis de Vincent
Cores mudando de tom
Campos matutinos de grãos âmbar
Rostos cansados com dor
São acalmados pelas mãos afetuosas do artista

Agora eu entendo
O que você tentou me dizer
E como você sofreu por sua sanidade
E como você tentou os libertar
Eles não queriam ouvir
Eles não sabiam como
Talvez eles te ouçam agora

Porque eles não podiam te amar
Mas mesmo assim seu amor era verdadeiro
E quando não havia mais esperança
Naquela noite estrelada
Você tirou sua própria vida, como amantes geralmente fazem
Mas eu poderia ter te falado Vincent
Esse mundo nunca foi um bom lugar pra pessoas tão bonitas como você

Noite estrelada
Retratos pendurados em paredes vazias
Cabeças sem porta-retratos em paredes sem nomes
Com olhos que observam o mundo e não esquecem
Como os estranhos que você conheceu
Os homens acabados, com roupas rasgadas
O espinho prateado de rosas sangrentas
Está esmagado e quebrado, na neve virgem

Agora eu acho que sei
O que você tentou me dizer
E como você sofreu por sua sanidade
E como você tentou os libertar
Eles não queriam ouvir
Ainda não estão ouvindo
Talvez nunca ouvirão"


- Isso já diz tudo...

Don Mclean - Vincent

Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...