terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Intensamente


Quantas coisas acontecem de um dia para o outro. Nossa vida muda e passa por uma constante transformação. Faz muito tempo que eu não escrevo. Eu não consigo ter a mesma inspiração de antes, pois escrevia sobre o meu sentimento atual. E no momento existem muitos sentimentos para especificar em um simples texto.
Muita coisa mudou para mim esse ano, e principalmente nesses últimos meses. Brigas, decepções, mentiras, separação, morte, doença e tristeza fizeram parte desse inacabável ano. E todos os dias quando acordo eu me pergunto quando ele vai acabar. Foram muitas informações contínuas, não deu tempo de canalizá-las. Não deu tempo de viver.
Mas o que seria viver? Sofrer para assim aprender com as experiências? Vivemos quando somos felizes? Não sei. Esse foi com certeza o pior ano da minha vida, mas eu não o desconsidero. Eu aprendi a lidar com dezenas de problemas ao mesmo tempo. Aprendi que eu posso ajudar os outros mesmo com mil coisas na cabeça. Aprendi que eu sou forte, tão forte que em um ano inteiro de dor em nenhum momento eu desisti de lutar. Aprendi a levantar da cama todos os dias com um sorriso na cara. Sinceramente não sei como eu consegui fazer tudo isso. Acredito que nós só descobrimos nossa capacidade de superação quando passamos por muitas coisas traumatizantes.
Esse ano valeu por dez no mínimo, sem exageros. Existe muita coisa que eu ainda não consegui lidar, mas com o tempo tudo ficará mais claro. Ah, como eu queria que o tempo passasse voando. Queria dormir durante meses para quando eu acordar já está tudo resolvido, mas sei que não é assim. Não dá para fingir que não tem nada acontecendo. Eu estaria sendo alienada.
Durante o ano eu pensei em muitas frases, e elas me ajudaram muito.
“O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a superar obstáculos.”
“A dor é inevitável o sofrimento é opcional.”
“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz...... ”
A cada segundo devemos dar valor as nossas vidas, por mais que no momento elas estejam péssimas. De uma hora para outra tudo isso pode acabar. De todas as coisas que eu passei esse ano, sem dúvida a pior foi a morte do meu irmão. Eu sempre lidei com a morte de uma maneira muito fria, mas no momento em que eu o vi dentro de um caixão tudo mudou. Meu mundo desabou, foi uma dor inexplicável e imensurável. Nesse instante eu percebi como realmente somos efêmeros. O importante é o hoje e não o amanhã, se você fizer o seu dia da melhor maneira possível com certeza isso irá refletir no seu amanhã, e assim nada irá ter sido em vão. Tenho medo que minha vida passe e eu não faça nada. Não quero viver pensando particularmente no meu trabalho e nem nos meus problemas. Quero deixar algo, alguma mensagem ou ensinamento. Por isso tento fazer de todos os meus dias únicos e últimos, por mais que o mundo possa estar desabando na minha cabeça. A melhor coisa é seguir em frente, nada de depressões, fuga e lamentações. Pois, isso nunca irá lhe acrescentar nada. Só irá perder seu precioso tempo, o de viver.
Viver intensamente e amar intensamente pode parecer clichê, já que todo mundo diz isso. Mas na realidade isso é a pura verdade. Só que nós não enxergamos o significado da palavra intensamente e assim continuamos vivendo por viver.
Não sei se deu para entender tudo o que eu escrevi, pois como estou muito confusa não estou organizando metodicamente minhas palavras como antes. A mensagem que eu deixo não é de desabafo, é de FÉ. Foi a única coisa que eu não perdi esse ano. Eu não comecei a ter fé só porque estou passando por problemas, ela já existia há muito tempo na minha vida.
A diferença de hoje para alguns anos atrás, é que eu não sabia a intensidade dela dentro de mim. E descobri que é enorme, muito maior do que tudo o que eu citei. É por causa dela que levanto todos os dias as seis horas da manhã. É por causa dela que eu estou viva e não depressiva. E é por ela que eu pretendo continuar vivendo.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O Poeta




"A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.


Ele é o eterno errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
O poeta chora.
Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes
Olhando o espaço imenso da sua alma.
O poeta sorri.
Sorri à vida e à beleza e à amizade
Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.
O poeta é bom.
Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras
Sua alma as compreende na luz e na lama
Ele é cheio de amor para as coisas da vida
E é cheio de respeito para as coisas da morte.
O poeta não teme a morte.
Seu espírito penetra a sua visão silenciosa
E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.
A sua poesia é a razão da sua existência
Ela o faz puro e grande e nobre
E o consola da dor e o consola da angústia.


A vida do poeta tem um ritmo diferente
Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando o céu
Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis".



Vinícius de Moraes

sábado, 6 de outubro de 2007

O tempo de aceitar


O passado age de uma forma misteriosa e marcante em nossas vidas. Nos faz lembrar cada detalhe de uma época remota em que não éramos os de hoje. Todas as lembranças antigas nos fazem ter medo e insegurança do Amanhã. Não nos sentimos preparados completamente para enfrentar o futuro dia, estamos presos em nossas próprias reminiscências. Estamos presos a algo morto. O Hoje é a morte do Amanhã. Devemos olhar para trás de uma maneira realista e não amargurada ou saudosa. O que somos agora é o reflexo do ontem. E o que seremos amanhã vai depender de como relacionarmos estas três etapas eternas: o ontem, o hoje e o amanhã. Para usufruirmos bem de nossas experiências passadas, temos que aceitar. Não digo esquecer e sim aceitar. A aceitação é o caminho para a evolução. O passado tem que ser aceito para que assim os sofrimentos, saudosismos e lembranças ganhem um novo aspecto.
Dessa forma, o sofrimento se transformará em aprendizado; o saudosismo, em força; e as lembranças, em efemeridade. Quando tudo já tiver sido aceito, o que é muito difícil mas não impossível, temos que viver o Hoje. Ele é mais fácil que o ontem, mas mesmo assim vem carregado de certos problemas. Viver no hoje é sentir, é enxergar. Os olhos aos poucos se abrem e os sentidos viram realmente sentidos e não mais aspirações. Com o despertar, as milhares de máscaras que você enxergava caem aos seus pés. É a realidade. É o viver no Hoje. Nada de desejos ou frustrações. Apenas a realidade que se desnuda a cada piscar de olhos.
E o passado já não importa mais, pois são várias novas informações para se processar no determinado instante. O tempo passa. Você ainda está no Hoje: não conseguiu se acostumar. Não se preocupe isso demorará. É necessário passar por diversas decepções com a realidade para que se possa conviver com ela, e assim ir para o Futuro.
O mais fácil é o Amanhã. Simples, pois dele você nada lembrará e nem enxergará já que ele não existe. Tantos sonhos e planos, quantas coisas o Ser Humano monta para o amanhã. E a única coisa que ele te dá é a esperança. É o que te impulsiona para a frente. É a força e a luta. É o sentido para viver. Devemos procurar a cada instante um sentido, pois no momento em que ele é alcançado, deixa de existir. Só com consciência tudo isso se realizará, pois quem constrói nossos caminhos e cria nossos sentidos é o nosso Eu. E somente com isso viveremos e não apenas passaremos por essa existência.

sábado, 29 de setembro de 2007

Vergonha politizada


Tenho escutado muito uma palavra, mas ainda não sei seu significado.
Todos a comentam em bares, escolas e jornais.
Sempre é citada junto a roubos, hipocrisia e nacionalismo.
Sempre é colocada como a decadência e a salvação.
Toda essa controvérsia ofusca seu real significado.
O qual eu ainda não consegui entender.
Confusa com tudo isso, busquei no dicionário a solução.
Nele continha maneira hábil de agir e ciência do governo dos povos.
Minha indagação interna só aumentou.
Como essas duas coisas podem estar relacionadas a uma só?
A maneira hábil de agir seria a inteligência.
E o governo representaria o poder.
Mas me pergunto que Poder Inteligente é esse?
Assisto a televisão, leio os jornais e escuto as opiniões alheias.
Assim começo a entender como essa palavra funciona.
Já que ela tenta manipular meu cérebro e me deixa em estado de alienação.
Compreendo agora as conversas e as notícias.
Compreendo o que é política.
Um jogo mental, que manipula meus pensamentos e meus atos.
Ah se os gregos soubessem o que a Politéia deles se tornou.
Estariam profundamente “envergonhados”.
Mas a vergonha é uma coisa antiga.
Que há muito tempo foi esquecida.
Quando Cabral chegou e índios nus avistou.
Numa Terra chamada Brasil.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O Cio da terra


"Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão"


Pena Branca e Xavantinho

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Sinceridade


Queria poder te dizer
Queria poder te contar
Tudo o que se encontra aqui dentro
Mas você não sabe lidar com a sinceridade

Você se esconde sob as facetas humanas
E o mundo o encobre
Porque o planeta não sonha
Ele apenas aspira

Quanta inocência contém a sinceridade
E quanto medo se vê nos olhares humanos
Medo de pensar
Medo de amar

É muito mais fácil deixar a vida passar
Do que construir consciente cada dia seu
É muito mais fácil fingir
E está cada vez mais difícil de eu acreditar

Esses anos fizeram-me não ter medo de mim
E percebo quanto medo ainda há em se descobrir
Medo de tentar
Medo de conhecer

Minhas angústias se foram
Hoje elas reaparecem quando sou sincera
Você não está preparado para ver
E eu não consigo fingir

Meu consciente irá esquecer,
Pois tudo isso vai passar.
O que sobrará são as máscaras do mundo
As quais hoje eu resolvi arrancar

domingo, 9 de setembro de 2007

Quem somos nós?


Nesse nosso mundo
Vivemos á paisana da realidade
Coexistimos em nossa própria ilusão
Nessa vida interna de quatro paredes
Apenas consumimos
É o exaurir de nossa existência
Somos mais um
E não vários
Não somos um todo
Somos partes
Nossos olhos não enxergam
Estão perdidos em sua utopia interior
Eles não vêem seres
Só humanos
É o planeta que entrevê somente a si
E esquece do universo
Pensaram os psicólogos
Que assim talvez o ser humano
Conheceria melhor o seu âmago
Que grande engano esse
Já que nunca fomos humanos
Somos então a alienação em matéria
E quase o ápice do primitivismo
Somos reais sem ao menos existirmos
Somos o grão da vida e o verme da morte
Somos imortais sem sermos deuses
Quem somos então?

Trilogia da desconstrução III

Nesses traços escassos, retorno no tempo e vejo aquele retrato amarelado sobre a mesa tirado em algum lugar do passado. Sinto o che...